Capítulo único — O homem que construía com as mãos
Elias tem 42 anos e é pedreiro desde os 14. Aprendeu no cimento, na massa e no sol, e foi com essas mãos que criou os dois filhos, sozinho.
Quem trabalha com as mãos sabe o quanto elas valem. A mão do pedreiro é a ferramenta, o ganha-pão e o abraço no fim do dia.
Pela cidade tem parede que é obra dele. Elias passa na rua, aponta e conta pros filhos: "esse muro aí fui eu que levantei, tijolo por tijolo".
Aprendeu o ofício com o pai e nunca fez nada pela metade. Prumo, esquadro, reboco liso — cada detalhe no capricho, do jeito que ele gosta de mostrar quando a obra fica pronta.
Nos fins de semana, ensina o filho mais velho a segurar a colher de pedreiro, contando os macetes que só quem tem calo na mão conhece.
De manhã cedo, toma café com a filha de nove anos, que fica ouvindo as histórias de obra como quem escuta aventura. Ela promete que um dia vai construir a casa dos dois.
O sonho dele sempre foi simples: ver os filhos crescerem bem, com o prato cheio e a casa firme — de preferência erguida com as próprias mãos.
Elias diz que parede boa é que nem família: se a base é bem-feita, aguenta o tempo que for.
Essa é a história do Elias — um homem que aprendeu cedo que trabalho feito com capricho e amor pelos filhos é o que fica de pé pra sempre.